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Entendendo a Castidade
  Um jovem estava confuso sobre a vivência da castidade, pois um determinado padre disse que “havendo amor” não haveria problema desse jovem, mesmo não sendo casado, ter uma vida sexual ativa com sua namorada. Vamos à resposta.

Primeiramente,  vamos recordar alguns pontos do que a Igreja (não um ou outro padre, mas a Igreja!), nos ensina a respeito da castidade em seu Catecismo:

§2394

Cristo é o modelo da castidade. Todo batizado é chamado a levar uma vida casta, cada um segundo seu estado de vida próprio.

Vejamos bem: TODO BATIZADO. No entanto, cada um a seu modo, ou seja, o não casado, mas que namora, mostrando afeto a outra pessoa, mas sem relações sexuais; o consagrado (padre, irmã, etc) dedicando-se à comunidade e a Deus; o casado, com respeito ao seu cônjuge.

§2532

A purificação do coração exige a oração, a prática da castidade, a pureza da intenção e do olhar.

O Batismo confere àquele que o recebe a graça da purificação de todos os pecados. Mas o batizado deve continuar a lutar contra a concupiscência da carne e as cobiças desordenadas. Com a graça de Deus, alcançará a pureza de coração:

* pela virtude e pelo dom da castidade, pois a castidade permite amar com um coração reto e indiviso;

Pelo item acima entendemos que a castidade deve ser buscada, ou seja, não podemos nos conformar com a velha frase “sou fraco mesmo, então não tem jeito...” 

§1632

Para que o "sim" dos esposos seja um ato livre e responsável e para que a aliança matrimonial tenha bases humanas e cristãs sólidas e duráveis, a preparação para o casamento é de primeira importância:
Os jovens devem ser instruídos convenientemente e a tempo sobre a dignidade, a função e o exercício do amor conjugal, a fim de que, preparados no cultivo da castidade, possam passar, na idade própria, do noivado honesto para as núpcias.

Por que muitos casamentos não dão certo? Por que faltou uma preparação pela castidade, pois sem essa, a dificuldade em aceitar um não, a fraqueza ante a possibilidade da traição já estão presentes; a pessoa não se preparou antes para uma vida exigente, como é o casamento;

§2396

Entre os pecados gravemente contrários à castidade é preciso citar a masturbação, a fornicação [relação sexual entre não casados], a pornografia e as práticas homossexuais.

§2351

A luxúria é um desejo desordenado ou um gozo desregrado do prazer venéreo. O prazer sexual é moralmente desordenado quando é buscado por si mesmo, isolado das finalidades de procriação e de união.

Agora vamos analisar algumas coisas que, infelizmente, o padre disse a esse jovem: 

"a  castidade não é abstinência de sexo, é muito mais do que isso, é você não trair sua namorada e mais uma série de coisas"

Ele está certo quando diz que não é só abstinência de sexo. Mas, como vimos acima, no caso dos não casados ela é TAMBÉM abstinência de sexo, porque o corpo de um ainda não pertence ao outro, pois só vai pertencer com a benção de Deus no casamento.  

"não é errado eu praticar sexo com minha namorada se achamos que vamos viver a vida juntos" 

Vocês podem até achar que vão viver juntos. Mas quem garante isso? Deus já foi consultado? Ele é consultado quando o casal vai até a Igreja e faz um compromisso consigo mesmo e com Deus, pelo casamento.

“Ele falou que tem certeza que todas as noivas que casaram de branco já não eram mais virgens”

Eu também já realizei muitos casamentos em que elas não eram mais virgens, assim como já realizei vários em que eram... Isso não quer dizer muita coisa, pois a pessoa pode ter se arrependido de seu erro e, por outro lado, o erro dos outros justifica o nosso?

 " disse que eu não sou nenhum sacerdote que faz voto de castidade total!"

Realmente, o jovem que namora não fez voto de castidade total. Mas, como vimos acima, a castidade deve ser vivida conforme cada estado; neste estado, de namorado, ela significa estar tendo uma proximidade com alguém, mas sabendo que o corpo daquela pessoa ainda não é um com o seu corpo. Quando acontecer o casamento, ai sim, serão um só corpo.

"disse que praticar o ato sexual seria bom para que eu não venha a cair no ato da masturbação"

Pensar deste modo é pensar de forma muito mesquinha. É como dizer “amaldiçoar a minha mãe é bom, para que eu não fique guardando raiva no coração”; ou “mentir é bom, para mim não ouvir uma reclamação pelo meu erro”, etc.  Jesus nos mandou tomar a cruz e segui-Lo e não ficar encontrando desculpas pro nossos pecados.

 “disse que Deus não é nenhum juiz que fica com um caderninho na mão anotando nossos pecados e julgando se a gente pode comungar ou não” que Deus é um pai que perdoa a todos, bem como a esses pecados " leves "

Certamente que Deus quer o nosso bem e não o nosso mal; é justamente por isso que Ele nos ensina o caminho certo, ainda que isso exija de nós. Quanto à comunhão, a Igreja nos ensina que não podemos recebê-la estando em pecado grave e a fornicação não é um pecado leve, mas sim um pecado “gravemente contrário à castidade”, como nos ensina o Catecismo.

Para concluir:

A vida com Jesus deve ser bem diferente da vida do mundo. Aquela é fácil e sem compromisso. A vida com Jesus, como Ele mesmo nos ensinou, é pela “porta estreita”, mas que conduz à vida eterna. Por que será que tantos jovens, no início do cristianismo, preferiram a morte do que se entregarem ao pecado (Santa Luzia, etc)? Porque eles tinham um grande amor a Jesus, não querendo ofendê-Lo e pela esperança na vida eterna.

Para nos convencermos da gravidade da impureza, podemos ainda ler I Coríntios 6,12-19

 Pe. Silvio, MIC

 

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