| Desde que o mundo é mundo e o ser humano nele se encontra, sempre houve a inquietação humana quanto ao seu destino após a morte; no entanto, ainda desprovidos da Revelação de Deus, os homens não poderiam chegar a plenas certezas, mesmo assim, ainda que muitas vezes de forma errada, já começavam a intuir algo.
Para os gregos antigos, Homero e Hesíodo, o outro mundo (Hades) era um puro estado de inanição das almas. Já o filósofo Platão fala de um julgamento após a morte, onde as almas compareceriam perante o tribunal dos deuses, as que viveram fazendo o bem iriam para um mundo de luz, vivendo pela eternidade entre os deuses; as demais iriam para um mundo de trevas, onde as que cometeram crimes terríveis ficariam para sempre e as demais, após um tempo de expiação de mil anos, sairiam, vindo a tomarem um novo corpo; algumas se lembrariam da vida passada, outras não;
Já o povo judeu, paulatinamente recebendo a revelação de Deus, de início pensa que a vida termina aqui na terra, sendo que o morto de alguma forma “continua” nos filhos por ele deixados e nos seus trabalhos e bons atos. Com o tempo, passasse a se acreditar em um local de descanso – Sheol – mas sem verdadeira vida, uma espécie de vida em torpor; Com o tempo se distingue também castigos para os pecadores e prêmios para os justos. No tempo de Jesus o Sheol já é visto entre os judeus como o inferno, lugar dos maus e dos demônios;
Compreensão do Novo Testamento
A palavra purgatório vem do latim “purgare” = purum agere = “tornar limpo”, purificar. Aqueles que desprezam a doutrina da Igreja Católica dizem que não existe esta palavra na Bíblia. A palavra como tal não se encontra (como muitas outras palavras pois a Bíblia não é um dicionário), mas há muitas referências ao Purgatório.
Antes de mais nada o Purgatório foi declarado dogma (verdade da fé) pela Igreja ainda que Jesus não tenha falado explicitamente sobre isso. No entanto Jesus deu aos papas (através de Pedro) a chave do Reino dos céus e ao Magistério da Igreja (os bispos com o Papa) o Espírito Santo, para que eles possam ensinar-nos a respeito das verdades da nossa fé. (Leia João 16, 12-13). Daí tiramos uma conclusão: A Bíblia não é a única fonte de verdade para nós cristãos, como querem os protestantes, mas com ela o Magistério (bispos e o Papa) e a Tradição da Igreja (tudo aquilo que já vem sendo feito desde os apóstolos).
O Espírito Santo nos ensina, através da Igreja, que depois da morte há três destinos. A alma em pecado mortal, que não se arrepende, vai para o Inferno, que é eterno e portanto de lá ela jamais sairá. A alma que morre em santidade, vai direto para o céu, que também é eterno. Por fim a alma que não está em pecado mortal, mas também não se encontra em estado de perfeita união com Deus, vai para o Purgatório, que não é eterno, mas somente um tempo de expiação até que a alma esteja pronta (limpa dos apegos ao pecado, bem como da conseqüência dos pecados feitos) para entrar no céu. Portanto toda alma que vai para o purgatório com certeza entrará nos céus.
Como nos ensina a Bíblia, Deus é totalmente santo e nele não há nenhuma impureza. Para que possamos estar com ele, nós devemos ser libertados de tudo aquilo que nos mancha (Mt. 5,8. Apoc. 21, 27). Quando nós cometemos um pecado e nos confessamos nós somos perdoados do pecado por Deus. Mas as conseqüências do pecado ficam em nós: apego ao pecado, (ex.: uma pessoa que peca contra a castidade pode, dentro de si, manter um desejo pelo prazer carnal). Há ainda a necessidade de reparação por cada pecado. Assim como quem rouba deve devolver o que roubou, todos os nossos pecados, depois de confessados, devem ser reparados. Nós podemos reparar os nossos pecados oferecendo sacrifícios a Deus (jejum, renúncias, oferecimento de dores, doenças, etc), ajudando os que necessitam ou ganhando indulgências. Caso nós não façamos esta reparação aqui na terra, nós iremos fazê-la no Purgatório depois da morte.
O texto mais claro a respeito do Purgatório remonta ao Antigo testamento. Em 2 Mc. 12, 38-46 vemos como os soldados mortos receberam orações (portanto eles não estavam no céu, do contrário não haveria necessidade de se rezar por eles nem no inferno, do contrário as orações seriam inúteis). Os protestantes não tem o livro de Macabeus na suas Bíblias.
Há ainda outros textos como Mt. 5, 25-26 (expiação dos pecados depois da morte), Mt. 12, 32 (perdão depois da morte), 1Cor. 3, 10-17 (salvação depois de se passar “pelo fogo”), 2 Tim. 1, 16ss (Paulo está rezando pela alma de alguém (Onesífero).
Além do Purgatório ser uma verdade de fé declarada pela Igreja, temos ainda o testemunho de muitos santos, os quais Jesus ou Nossa Senhora lhes mostrou ou levou ao Purgatório para que eles rezassem pela almas que lá estão. Assim, por exemplo, escreve santa Faustina em seu Diário:
“Misericordiosíssimo Jesus, que dissestes que quereis misericórdia, eis que estou tazendo à mansão do Vosso compassivo Coração as almas do Purgatóirio , almas que Vos são muito queridas e que , no entanto, devem dar reparação a Vossa justiça. Que as torrentes de Sangue e Água que bortarma do Vosso Coração apaguem as chamas do fpgo do Purgatório para que também ali seja glorificado o poder da Vossa Misericória” (Diário, 1227)
Também o fundador dos Marianos, Pe. Estanislau Papczynski (1631- 1701), recentemente beatificado (16/09/2007), tinha visões do purgatório, deixando por isso, para a sua Congregação, a obrigação de rezar pelas almas dos fiéis defuntos.
As almas que estão no purgatório precisam muito das nossas orações porque elas não podem fazer nada por si mesmas e o seu maior sofrimento é não poderem estar já com Deus. No entanto essas almas estão constantemente rezando por nós. Lembremo-nos que a oração pelos vivos e pelos mortos esta entre as obras espirituais de misericórdia, ensinadas pela Igreja
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