| Algumas pessoas se assustam com o que não estão habituados.
Muitas vezes isto se deve ao fato de desconhecerem a história da Igreja e o seu ensinamento. Uma interrogação que alguns têm feito, por exemplo, diz respeito à posição do sacrário (ou tabernáculo) nas igrejas. Afinal, não deveria estar sempre no centro das mesmas? Colocá-lo em outro lugar denota influência protestante ou falta de fé na presença real de Jesus no Ssmo. Sacramento?
No Novo Testamento e nos primeiros séculos (a Sagrada Tradição – sécs. I-VIII) não se fala de sacrário no centro das igrejas. Diga-se de passagem que a fé na presença real de Cristo – e do seu sacrifício redentor em cada S. Missa – não está, de modo algum, ausente. É a partir do séc. IX, em certas regiões da Europa, que se começa a guardar a reserva eucarística (normalmente destinada aos doentes) sobre o altar, o que levou a que se confeccionasse um cofre para este fim (cf. Martimort, Aimé Georges, A Igreja em oração. Introdução à Liturgia, II, Petrópolis, Vozes, 1989, p. 219).
O Papa Bento XVI, na recente Exortação apostólica Sacramentum caritatis (22/02/2007), trata deste argumento no número 69; exorta a fim de que “o lugar onde são conservadas as espécies eucarísticas seja fácil de individuar por qualquer pessoa que entre na igreja” (a lâmpada “perenemente acesa” se faz necessária); mas destaca que “nas novas igrejas, bom seria predispor a capela do Santíssimo nas proximidades do presbitério” (e não no presbitério, salvo onde isto se torne inviável, p. ex. por razões arquitetônicas ou econômicas). Isto porque durante a celebração eucarística o Senhor Jesus se faz presente de um modo especialíssimo sob as espécies do pão e do vinho a partir da consagração (“isto é o meu corpo... isto é o meu sangue...”), e é ali que deve ser glorificado! O fiel, ao comungar em estado de graça, se torna um “sacrário vivo” do Cristo Crucificado-Ressuscitado, e por isso depois da comunhão deve não olhar para o sacrário (fará isto em outros momentos), mas agradecer ao Senhor por cumprir naquele momento a sua promessa: Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. A nova Instrução geral sobre o Missal Romano (3ª ed. típica, 2000) traz o mesmo sob o número 315. |