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JMJ 2008

Cardeal Pell dá início à JMJ 2008


Bento XVI envia mensagem de texto aos peregrinos


Por Anthony Barich / Catherine Smibert

SYDNEY, terça-feira, 15 de julho de 2008 (ZENIT.org).- O cardeal George Pell deu uma mensagem de boas-vindas e de esperança a uma multidão cheia de energia, unida para a missa de abertura da JMJ.

Antes do início da missa hoje, os 150 mil jovens foram acolhidos pelo clima quente de Sydney. E receberam uma mensagem de texto de ninguém menos que Bento XVI.

A mensagem do Papa dizia: «Jovens amigos, Deus e seu povo esperam muito de vocês, porque vocês têm o dom supremo do Pai: o Espírito de Jesus - BXVI».

Depois de uma procissão de 168 bandeiras e a entrada da cruz e do ícone da JMJ, o cardeal Pell deu as boas-vindas aos peregrinos em quatro línguas.

Sua saudação foi recíproca, com um grande aplauso, e acompanhada por cantos e coreografias semelhantes àquelas usadas para as recepções papais. O cardeal Pell estava acompanhado por 26 cardeais, 400 bispos, um coro de 300 jovens e uma orquestra de 80 integrantes. Ele disse aos membros da imprensa no início desta semana que esperava ansiosamente por celebrar a maior missa de sua vida.

Durante o entardecer na bela paisagem de Sydney, o cardeal Pell usou a primeira leitura de Ezequiel sobre o vale dos ossos secos para ilustrar a promessa de esperança.

De um palco construído com madeira australiana, o arcebispo de Sydney falou aos jovens sobre a imagem da morte apresentada por Ezequiel: os pássaros que devoram os corpos em um «imenso campo de batalha de pessoas sem enterrar».

Ezequiel, explicou, foi chamado por Deus para profetizar sobre esses ossos. Assim que o fez, «um barulho se fez ouvir, em seguida um ruído ensurdecedor, enquanto os ossos vinham se unir aos outros. Prestando atenção, viu que se formavam sobre eles músculos, que nascia neles carne e que uma pele os recobria». Então Deus soprou-lhes a vida e «um grande, um imenso exército» se levantou.

As surpresas de Deus

O cardeal Pell reconheceu que sua mensagem não se dirigia propriamente àqueles que já estão firmes na fé, mas que buscava «dar as boas-vindas e alentar todos, a quem se considera perdido, submergido no desespero, ou esgotado».

«As causas das feridas são secundárias: drogas, álcool, crises familiares, luxúria da carne, solidão ou morte. E talvez até o vazio do êxito», assegurou.

«O chamado de Cristo é para todos os que sofrem, não só para os católicos ou pessoas de outras religiões, mas especialmente para os que não pertencem a nenhuma religião.»

«Cristo lhes está chamando para regressar a casa, a viver o amor, a reconciliação e a comunhão», assegurou.

«Nós, cristãos, cremos no poder do Espírito para converter e mudar as pessoas do mal ao bem, do medo e da incerteza à fé e à esperança», acrescentou.

«Nossa tarefa consiste em estar abertos ao poder do Espírito para permitir que o Deus das surpresas possa atuar através de nós», assegurou.

«Independentemente de qual for a nossa situação, temos de rezar para ter um coração aberto, para ter a vontade de dar o seguinte passo, ainda que tenhamos medo de ir longe demais.»

«Se seguramos a mão de Deus, Ele fará o resto. A confiança é o segredo. Deus não falhará.»

Depois, comentando a segunda leitura, tomada da Carta de São Paulo aos Gálatas, o cardeal Pell convidou os jovens «a não ficarem sentados detrás da barreira, a deixar suas opções abertas, pois só o compromisso traz a realização».

Ser discípulo de Jesus exige disciplina, acrescentou, reconhecendo que ainda que «o autocontrole não o tornará perfeito – pelo menos não é meu caso –, é necessário para desenvolver e proteger o amor em nossos corações e para prevenir que outras pessoas, em especial nossa família e amigos, fiquem feridas por nossas quedas na sujeira e na acídia».

Novo espírito

O bispo auxiliar do cardeal Pell, Dom Anthony Fisher, encarregado pela organização da Jornada Mundial da Juventude, considera que esta homilia é particularmente forte para a Austrália.

O bispo reconheceu que uma interpretação literária de Ezequiel se aplica muito bem a um país que sofre seca há dez anos, como a Austrália. Mas a mensagem fala mais de um «povo em decadência».

«A promessa que Cristo faz de vida nova é para nossa cultura, nosso país, para os países dos quais os peregrinos procedem, para todos os que estão sofrendo e para os jovens que experimentam as drogas», afirma o prelado.

Esta é a mensagem que a Jornada Mundial da Juventude deixa: Cristo é a autêntica esperança.

«Quando alguém se sente como ossos secos, deve sentir a esperança de um novo Espírito, de uma nova vida», conclui.

 

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