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Crise de alimentos

Santa Sé pede «nova mentalidade» diante da crise alimentar

Intervenção do Dom Tomasi no Conselho de Direitos Humanos

Por Roberta Sciamplicotti

GENEBRA, quarta-feira, 4 de junho de 2008 (ZENIT.org).- Frente à crise provocada pelo rápido e vertiginoso aumento dos preços dos alimentos, que está afetando as economias dos países mais pobres, a Santa Sé pede uma «nova mentalidade» para enfrentar a emergência.

Intervindo em 22 de maio em Genebra, na 7ª Sessão Especial do Conselho de Direitos Humanos sobre o Direito ao Alimento, Dom Silvano M. Tomasi pediu que se cumpra com decisões ditadas pela vontade de buscar o bem comum.

No debate «complexo e urgente» sobre o direito ao alimento, indicou o observador permanente da Santa Sé na Sala das Nações Unidas em Genebra, «é necessária uma nova mentalidade» que «coloque a pessoa humana no centro e não se concentre só no beneficio econômico».

Atualmente, constatou, nós nos encontramos diante do «desafio de nutrir adequadamente a população mundial, em um momento no qual se verificou um aumento global dos preços dos alimentos que ameaça a estabilidade de muitos países em vias de desenvolvimento».

Esta situação «exige uma urgente ação internacional conjunta», sublinhou.

A crise, indicou Dom Tomasi, faz lançar um alarme sobre as conseqüências negativas que afetam o setor agrícola, há muito tempo descuidado, ainda que «mais da metade da população mundial luta por sobreviver através dessa ocupação».

Do mesmo modo, chama a atenção sobre as disfunções do sistema comercial global, dado que quatro milhões de pessoas cada ano se unem aos 854 milhões que sofrem fome crônica.

O prelado auspiciou que a sessão do Conselho «abra os olhos da opinião pública sobre o custo mundial da fome, que com freqüência provoca carências de saúde e no campo da instrução, conflitos, migrações incontroladas, degradação ambiental, epidemias e inclusive terrorismo».

Conferências e declarações que se sucederam nos anos, recordou Dom Tomasi, reconheceram o direito à alimentação concluindo que «a fome se deve não à falta de alimento, mas à falta de acesso, tanto físico como financeiro, aos recursos agrícolas».

Ainda que o primeiro dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio vise a reduzir o número de pessoas que vivem em extrema pobreza e oprimidas pela fome antes de 2015, o prelado observou que «a sociedade deve enfrentar a dura evidência de que os objetivos estabelecidos com freqüência não são acompanhados por políticas coerentes».

O aumento dos preços dos alimentos tem conseqüências devastadoras sobre os países pobres, porque bilhões de pessoas estão obrigadas a gastar quase toda sua renda diária de um dólar em procurar alimentos.

«A grave tarefa que nos espera é projetar e estabelecer políticas, estratégias e ações eficazes que levem a uma quantidade suficiente de alimentos para todos», propôs Dom Tomasi.

Entre as propostas adiantadas pelo prelado, figura dar prioridade à produção de alimentos, a eliminação dos subsídios injustos em agricultura, a organização de estruturas cooperativas e o equilíbrio «não por parte do mercado, mas por obra de mecanismos que respondam ao bem comum», do uso da terra para produzir alimentos e para outros fins.

«A comunidade internacional deve ser impulsionada à ação. O direito ao alimento afeta o futuro da família humana, assim como a paz na comunidade global».

 

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