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Celebramos hoje (13 de maio) o dia de Nossa Senhora de Fátima. Como uma singela homenagem, brevemente relatamos as suas aparições em Fátima e suas mensagens. Os textos que você lê abaixo são um resumo das palestras que aconteceram no VI Congresso da Divina Misericórdia em 2007, no Santuário da Divina Misericórdia, em Curitiba - PR. Acompanhe com atenção e devoção!
A urgência dos apelos
Pe. Jonas Eduardo, MIC
Comemoramos em 2007 o 90º aniversário das aparições de Maria em Fátima. Ingo Swann, militar formado em biologia e arte, destaca 22 manifestações de Maria como as mais importantes, entre 1531 e 1981. Dentre elas está a de Fátima, com enorme impacto eclesial e social tanto pela sua mensagem, como pelos seus sinais extraordinários, particularmente o do sol.
Após quase um século, a mensagem de Fátima conserva ainda todo o seu vigor? Certamente sim, o que se constata pelo crescente interesse por ela, pelo aumento dos peregrinos em Fátima, bem como pela prática fervorosa dos primeiros sábados, da consagração a Maria etc. É a mais profética das aparições modernas, disse o Papa Bento XVI em sua vinda ao Brasil a 13/05/2007.
A mensagem de Fátima pode ser interpretada em chave apocalíptica, levando-se em conta as mais diversas acepções do conceito de apocalipse: tragédia; revelação; urgência; perseverança, como precisa o mariólogo Clodovis Boff. Diante de um mundo que caminha a passos largos para a ruína, o Senhor, de vários modos, vem nos iluminar a fim de redescobrirmos e retomarmos a estrada do amor e da justiça.
Contemplemos atentamente a Mãe de Jesus, que nos visita como apóstola da misericórdia divina. De algum modo, ecoam do seu coração as mesmas palavras que outrora pronunciou:
“A minha alma engrandece ao Senhor” – em Fátima, Nossa Senhora testemunha a grandeza e o senhorio de um Deus que existe e é misericórdia, em meio ao crescimento do ateísmo e agnosticismo. Muitas vezes o ser humano – de ontem e hoje – acaba colocando a sua confiança em “divindades” antigas, como o comércio (Hermes ou Mercúrio), o prazer (Dionísio ou Baco), o sexo (Afrodite ou Vênus), as armas (Ares ou Marte), a glória e a fama (Zeus ou Júpiter), assim como faziam os antigos romanos. Portanto, Maria quer ajudar o ser humano a se reencontrar com o único Deus.
“Filho, aflitos te procurávamos!” – Nossa Senhora vem ao encontro do homem e mulher modernos que se perderam dos seus semelhantes em meio a guerras, injustiças, tiranias, assassinatos – ao redor de 100 milhões foram mortos pelos regimes comunistas, sem falar das grandes guerras e outras silenciosas! A partir do uso de armas nucleares (Hiroshima e Nagasaki, 1945), a destruição total da humanidade não é mais uma utopia, como afirmou o filósofo Jean Guitton em 1949. Assim sendo, Maria quer ajudar o ser humano de hoje a se reencontrar com os seus semelhantes.
“Fazei tudo o que Ele vos disser!” – Em Fátima Maria nos exorta à conversão pessoal, a uma mudança de mentalidade (metanóia) e de vida – o que está no centro da pregação de Jesus e da Igreja nascente (cf. Mc 1,15; At 2,38; etc.). A maior revolução acontece no meu coração! Maria quer ajudar o ser humano a se reencontrar consigo mesmo. Nossa Senhora quer que seus filhos vivam de fato como filhos de Deus. Lúcia escreve:
"Nossa Senhora prometeu adiar para mais tarde o flagelo da guerra se for propagada e praticada esta devoção (ao Imaculado Coração de Maria). Vemo-l’A afastando esse castigo à maneira que se vão fazendo esforços para a propagar, mas eu tenho medo que nós possamos fazer mais do que fazemos e que Deus, pouco contente, levante o braço da Sua Misericórdia e deixe o Mundo assolar-se com esse castigo, que será como nunca houve horrível, horrível” (Carta ao Pe. Aparício, 20/06/1939).
Relato das mensagens de Fátima
Pe Jair Batista de Souza, MIC
Aproximando-se o 25º aniversário das aparições, o Bispo de Leiria deu ordem à vidente Lúcia para que escrevesse tudo quanto ela pudesse se lembrar e revelar sobre as aparições de Fátima. Obediente, Lúcia redigiu quatro relatos de Memórias nos anos de 1936, 1937 e 1941. Duas outras memórias foram escritas bem depois, em 1989 e 1993. É exatamente no terceiro Memorial, datado de 30/8/1941, que a Religiosa se refere ao segredo, dedicando-lhe cerca de 15 páginas.
A primeira parte compreendia uma visão do inferno: Lúcia, Francisco e Jacinta perceberam algo como um grande mar de fogo e nele mergulhados os demônios e as almas. Na segunda parte Nossa Senhora se referia à Rússia (palco do cisma ortodoxo em 1054), predizendo uma guerra e pedindo a sua consagração ao seu Imaculado Coração, bem como a comunhão reparadora nos primeiros sábados. O Cardeal Ildefonso Schuster, arcebispo de Milão, em sua Carta Pastoral da Quaresma de 1942 deu publicidade a estas duas partes. Em 1942 o Papa Pio XII, relatando esta mensagem, consagrou o mundo ao Coração Imaculado de Maria.
No ano 2000 a Igreja tornou pública a terceira parte do segredo de Fátima, mas ainda há muitas especulações em torno deste assunto. Por isso é preciso estar atento ao que a Igreja nos orienta, visto que o seu objetivo é levar a todos um conhecimento sério, sereno e seguro no que se refere às aparições de Fátima. Existem aqueles que dizem que a terceira parte do segredo de Fátima se refere ao fim do mundo, guerras, e por isso se dizem decepcionados quando a Igreja oficialmente manifestou o conteúdo daquilo que a irmã Lúcia escreveu. Outros acham que o segredo de Fátima tem haver com a própria Igreja que, depois do segundo Concílio Vaticano, se afastou da doutrina oficial e já não é mais a mesma Igreja de Cristo porque deixou de rezar a missa em latim. São opiniões que não correspondem à verdade, ou àquilo que a Igreja propôs.
A terceira e última parte do segredo foi interpretada pela Igreja como sendo o atentado sofrido pelo Papa João Paulo II, em 1981.
“A terceira parte do segredo revelado em 13 de julho de 1917 na cova da Iria - Fátima.
Escrevo em ato de obediência a vós, meu Deus, que mo mandais por meio de sua Ex.cia Rev.ma o Senhor Bispo de Leiria e da Vossa e minha Santíssima Mãe.
Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora, um pouco mais alto, um Anjo com uma espada de fogo na mão esquerda; ao cintilar despedia chamas que pareciam ir incendiar o mundo; mas apagavam-se ao contato do esplendor que Nossa Senhora irradiava com sua mão direita dirigida ao seu encontro. O anjo, apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, penitência, penitência! E vimos numa luz imensa, que é Deus, algo semelhante ao que vêem as pessoas em um espelho quando passam diante dele, um Bispo vestido de branco e tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre. Também vimos vários outros bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas a subir numa escabrosa montanha, em cima da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fosse a casca de uma árvore [de sobreiro com a casca]; o Santo Padre, antes de chegar lá, atravessou uma grande cidade meio em ruínas e meio trêmulo, com o andar vacilante, acabrunhado de dor e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho. Chegado ao cume, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz, foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e do mesmo modo morreram, um atrás dos outros, os bispos, sacerdotes, religiosos e religiosas e várias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de diversas classes e posições. Sob os dois braços da Cruz havia dois Anjos, cada um com uma jarra de cristal na mão, nas quais recolhiam o sangue dos Mártires e regavam com ele as almas que se aproximavam de Deus” (Tuy, 03/01/1944).
Conclusão
Mãe e Filho, ensina-nos a Igreja e testemunha-nos a história, caminham intimamente unidos. Encerramos com as palavras do pequeno Francisco, bem-aventurado vidente de Fátima: “Gostei muito de ver o Anjo, mas gostei ainda mais de Nossa Senhora. Do que gostei mais foi ver Nosso Senhor, naquela luz que Nossa Senhora nos meteu no peito. Gosto tanto de Deus! Mas ele está tão triste por causa de tantos pecados”. Maria, ajudai a todos nós, sobretudo aos pecadores endurecidos, a dizermos com toda a nossa alma, hoje e por toda a eternidade: Gosto tanto de Deus! |