| Papa propõe compromisso com a verdade e a ética aos meios de comunicação
Manuel Felício, bispo da Guarda (Portugal), comenta mensagem do pontífice
GUARDA, domingo, 4 de maio de 2008 (ZENIT.org).- O bispo da Guarda (Portugal), Dom Manuel Felício, considera que Bento XVI propõe aos meios de comunicação um compromisso com a verdade, que se transforma na fonte de uma ética.
Em comentário à mensagem do Papa para o Dia das Comunicações Sociais --que a Igreja celebra hoje-- difundido essa sexta-feira por Agência Ecclesia, o bispo explica que Bento XVI assinala a «opção pela verdade».
«Verdade que se nos impõe e que nós não fabricamos; verdade que liberta, verdade que aponta caminhos de construção do bem pessoal integral de cada pessoa e de todas as pessoas; verdade que aponta sempre na direcção do Bem Comum, que é preciso construir, mesmo com sacrifício de alguns bens particulares.»
De acordo com o bispo, se a verdade «não está sujeita aos jogos de interesses dos indivíduos e dos grupos; se a verdade não pode ser instrumentalizada por objetivos de puro marketing econômico, político ou outros, então essa mesma verdade transforma-se em fonte de uma ética».
Essa ética vai «determinar regras que hão-de regular também os meios de comunicação social, enquanto instrumentos privilegiados para procurar e divulgar a mesma verdade».
Dom Manuel Felício considera que é a essa responsabilidade dos meios de comunicação social «que o Papa Bento XVI se quer referir quando fala de info-ética, por aproximação a outros âmbitos da ciência, onde se fala, por exemplo, de bioética».
«E sentimos todos como é particularmente urgente procurar a verdade do homem e da mulher, a viverem em sociedade, num processo de construção de vida com qualidade e de bem estar para todos, sem excluir ninguém.»
«Impõe-se por isso cultivar uma ética dos meios de comunicação social, que coloque acima de tudo o respeito pela verdade e em particular a verdade do homem e da mulher, com seus direitos e deveres», afirma.
O bispo acredita que essa ética dos meios de comunicação social, «por um lado orientará sempre para a procura da verdade e para a sua apresentação rigorosa e, em consequência, opõe-se ao princípio da simples justificação de atitudes e interesses de pessoas e grupos».
«E desta forma recusa a chamada lei do mais forte, que instintivamente a todos nos repugna. Entra aqui o alerta do Papa para a subserviência da comunicação social aos interesses dos grandes grupos económicos ou ideológicos.»
Sendo assim --prossegue o bispo--, o critério base para regular o estatuto editorial de todos e cada um dos meios de comunicação social tem de ser «promover e defender a dignidade e os direitos de todos e cada um dos seres humanos».
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