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Aos dez anos de idade fiz a catequese e gostava muito dos cânticos de Maria, em especial, Maria de Nazaré. Lembro-me que junto com minha irmã cantávamos felizes da vida este cântico. Terminando a catequese, fizemos a nossa primeira comunhão e logo em seguida tive que mudar de São Paulo para Mongaguá com a minha mãe. Minhas irmãs permaneceram em São Paulo por motivo de trabalho. Todos os finais de semana, eu e minha mãe esperávamos ansiosas a visita de minhas irmãs e com isso, aos poucos, deixamos de participar das missas e só ficaram as boas lembranças das aulas de catequese.
Aos dezenove anos de idade sofri um grave acidente de carro, onde houve três vítimas fatais. Com este acidente precisei muito do apoio dos amigos do colégio, onde conheci o Luciano ( hoje meu esposo). Ele, católico praticante, sempre me convidava para participar das Santas Missas e eu comecei a acompanhá-lo. Encontrei muitas barreiras e hoje sei que era eu mesma quem as construía.
O Luciano era Legionário e eu não sentia vontade de também ser. Certo dia, o nosso Pároco disse-me que se eu não fosse Legionária, certamente não seria feliz! Naquele momento, percebi que uma grande ferida se apoderou do meu coração. De certo, abri espaço na minha vida para guardar um grande ressentimento. Não conseguia mais participar das missas e quando "participava", transformava as bênçãos recebidas em guerra no meu namoro. Fechei meu coração para tudo que se relacionava a igreja e o meu coração não pertencia mais a Virgem Maria.
Depois de dois anos de namoro, ainda sim, casamos na igreja. Era um sonho de menina, e com a Graça de Deus, fomos abençoados. Depois de dois anos de casados, nasceu nosso filho Fernando. Ele foi crescendo e meu marido sempre levando o pequeno nas missas. Eu não impedia, mas também não acompanhava-os, mas quando acompanhava-os, era sempre brigas e mais brigas... Quando meu filho completou 4 anos de idade, disse-me que não queria ir nas missas e sim ficar em casa comigo. Confesso que foi um choque e decidi que, por amor ao meu filho, algo deveria ser mudado, e dali por diante "suportaria" ir as missas aos Domingos.
Certo Dia, Deus enviou como instrumento o Padre Silvio, que na época era ainda Diácono e o Padre Fernando para estar alguns dias em Mongaguá, pois eles preparavam a ordenação sacerdotal do Silvio que se realizaria em breve na paróquia. Ambos estavam repletos do Espírito Santo na Missa que celebraram. Dali por diante, não podia eu "suportar" mais as missas e sim "participar" com amor.
Jesus Misericordioso agia em silencio... Estava disposta a ter mudanças em minha vida. Passei por um longo período, pedindo que Deus tirasse as mágoas e os ressentimentos que eu tinha pelo nosso sacerdote. O meu olhar não negava as marcas profundas que havia no meu coração e de certo o Padre Teófilo sabia.
Me encantei com o Terço da Misericórdia e logo adquiri pelo site o Diário da Santa Faustina, o Terço cantado, camiseta e o DVD. Sem perceber, passei a ser devota a Misericórdia Divina. Deus foi agindo e transformando as mágoas em respeito e admiração pelo sacerdote. Pedi que o padre abençoasse meu Terço e sempre carregava no pescoço para rezar o Terço da Misericórdia. Mesmo com o coração distante de Nossa Senhora, ainda sim, rezava algumas vezes o terço da Ave Maria... Fácil é rezar com palavras, difícil é rezar com o coração.
No dia 28/07/07 houve outra ordenação na nossa Paróquia. Na primeira missa celebrada pelo Pe. Vanderley, o Pe. Teófilo, me surpreendeu com elogios, dizendo que eu havia trabalhado bonito na ordenação. (Tinha feito um pequeno serviço para a comunidade). Acho que nunca fiquei tão feliz, não por alguém ter reconhecido algo, pois isso não faz parte de minha personalidade, mas sim por ver que o Padre percebeu a minha transformação a respeito das mágoas e dos ressentimentos. Confesso que isso me deu coragem para fazer a minha primeira confissão com este sacerdote.
Depois de dois meses ele me atendeu em confissão. Contei tudo o que havia se passado e em especial que precisava da sua benção para continuar sendo Vicentina. De fato essa é a minha vocação. Ele sorriu e com suas palavras compreensivas, me abençoou... Padre Teófilo tinha uma grande veneração por Nossa Senhora e eu ainda não poderia compreender tamanho amor.
Naqueles dias, me inscrevi para o Congresso da Divina Misericórdia que aconteceria entre os dias 19 e 21 de setembro de 2007. Pedi autorização para o Pe. Teófilo e ele me liberou para a viagem.... No congresso, havia um clima intenso de amor por Nossa Senhora. Os Marianos falavam de Maria com grande carisma em seus corações e eu, já não podia mais resistir tamanho amor que Nossa Senhora tem por todos nós. Senti no coração, sua presença no Santuário e logo compreendi o grande amor que Padre Teófilo trouxe por Maria por todos os anos de sua vida... Rezei o terço como nunca havia rezado antes. Somente o puro amor de Mãe para amolecer o coração de sua filha.
Logo depois, Pe. Teófilo ficou muito doente e no dia 15 de dezembro de 2007 veio a falecer. O Terço abençoado por ele, não terei mais porque perdi um dia antes de sua partida. Porém, através da benção de Jesus Misericordioso e do Pe. Teófilo, tenho Nossa Senhora em meu coração.
Ao terminar de escrever este testemunho, peguei minha Bíblia, e Deus, com sua grandeza infinita, resume meu longo testemunho em uma única frase: “Lembrai-vos de vossos guias, que vos pregaram a palavra de Deus. Considerai como souberam encerrar a carreira. E imitai-lhes na fé” (Heb 13,7-8).
Aos Sacerdotes da "Congregação dos Padres Marianos", fica a minha eterna gratidão!
Rosemeire A. de Almeida
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